quinta-feira, 23 de maio de 2013

Viagem Literária # 02

Para aqueles que não sabem, passei os últimos três meses em Londres, em um programa de intercâmbio. Além de apreender inglês, tive a oportunidade de viajar e, como não poderia deixar de ser, conferir a estória por trás de alguns livros. E foi assim que surgiu a coluna Viagem Literária que será publicada uma vez por semana, pelo período aproximado de dois meses. 

Atenção: este post contém SPOILERS de Anjos e Demônios. Se você não leu o livro, aconselhamos que não leia este post. 

Sim, sim, eu admito: fui nerd o suficiente para percorrer o Caminho da Iluminação citado no livro Anjos e Demônios. E sinto-me obrigado a tirar o chapéu para Dan Brown: montar o quebra cabeça que ele montou, unindo igrejas e monumentos a uma série de intrincados enigmas criados para uma estória de ficção não é para qualquer um.

Se você não lembra do livro, façamos uma breve recapitulação: além do tubo de antimatéria escondido no Vaticano, quatro cardeais foram sequestrados e seriam assassinados nos Altares da Ciência. Robert Langdon lembra do mítico Caminho da Iluminação, composto por quatro igrejas — também conhecidas como Altares da Ciência, as quais homenageariam os elementos terra, ar, fogo e água — que conduziriam à Igreja da Iluminação, local onde pensadores e cientistas poderiam discutir suas ideias sem temer a represália do Vaticano. Para encontrar a primeira igreja, Galileu teria incluído no livro Diagramma della Veritá os seguintes versos (segno):

Da tumba terrena de Santi com a cova do demônio
Através de Roma se estendem os místicos elementos
O caminho da luz está preparado, o teste sagrado
Que os anjos o guiem em sua busca sublime

Langdon imagina que o primeiro marco da ciência seria o Panteão, onde o famoso pintor e arquiteto Rafael Santi está enterrado. Todavia, Vittoria — parceira de Robert nesta aventura — percebe que Rafael foi levado para o local em 1758, cerca de cem anos após o livro ter sido escrito. Registre-se que a placa no Panteão informa que o corpo do pintor foi levado para o local imediatamente após a sua morte, em 1520 (licença poética, será?). 


Os personagens então se dão conta que o segno se refere a uma capela mortuária projetada por Rafael: a Capela Chigi, localizada no interior da Igreja de Santa Maria del Popolo. O corpo do cardeal é encontrado na "cova do demônio", expressão utilizada para indicar um ossário anexo à capela. No interior da Capela Chigi se encontra a famosa estátua de Bernini "Habacuque e o Anjo".



Seguindo a direção apontada pelo anjo (lembre-se do verso: que os anjos o guiem em sua busca sublime) encontramos apenas uma igreja que existia nos tempos de Bernini: a Basílica de São Pedro. Em frente à Basílica, no centro da Piazza São Pedro, está o obelisco egípcio trazido por Calígula, e ao seus redor encontram-se dispostas inúmeras placas elípticas. O monumento feito para marcar o Altar da Ciência em homenagem ao vento é uma placa que retrata o West Ponent (ou Respiro de Dio). Infelizmente, o local estava isolado, de modo que não consegui tirar nenhuma foto da placa. Porém, quem tem Google tem (quase) tudo.



As cinco linhas que saem da boca do anjo seguem até a Igreja de Santa Maria della Vittoria, onde se encontra a controversa escultura “O Êxtase de Santa Teresa”. Diz a lenda que Teresa de Ávila teve uma visão de um anjo, o qual introduzia uma flecha em chamas no seu coração, deixando-a "abrasada em grande amor de Deus". A escultura de Bernini, todavia, interpretou a experiência de Teresa de Ávila de uma forma mais caliente, digamos.



Diz o livro que a flecha do anjo aponta para a Igreja de Santa Inês em Agonia (segundo o meu senso de direção, a flecha aponta para outro sentido), situada em frente a famosa Piazza Navona, onde se encontra a Fonte dos Quatro Rios. Dessa vez, quem indica a direção a ser seguida é a pomba (conhecida como anjo da paz na simbologia pagã) no alto do obelisco criado por Bernini.



Chegamos agora ao Castelo Santo Ângelo (novamente, meu senso de direção diz que a pomba aponta para outro sentido), a Igreja da Iluminação e base utilizada pelo assassino. O castelo ganhou este nome em virtude da aparição do arcanjo Miguel no seu topo, motivo pelo qual há uma escultura do anjo eternizando a visão do Papa Gregório I. Atualmente o castelo funciona como um museu, fato este inclusive mencionado no livro. 


Sobre a viagem:
Roma é sinônimo de história. A sensação de visitar o Coliseu é impossível de ser traduzida em palavras. Caminhar entre as ruínas do Foro Romano e do Palatino, sabendo que pessoas que mudaram o mundo também caminharam por aqueles lugares é absurdamente surreal. 

Mesmo não sendo católico, entrar na Basílica de São Pedro é emocionante. Se você tiver fôlego, não deixe de subir os mais de 500 degraus para chegar na cúpula (se você não for pão duro como eu, é possível subir de elevador até a primeira parada, o que equivale a cerca de 200 degraus, mais ou menos), pois a vista da cidade é espetacular. Mas esteja preparado para subir uma escadaria estreita e com paredes inclinadas, combinação contra indicada para aqueles que sofrem de claustrofobia.

O Museu do Vaticano é gigante e no dia que fui estava lotado (quando digo lotado é lotado mesmo, algo do tipo ônibus em horário de pico, quando você sequer tem espaço para mexer os braços), tanto é que fiquei mais de duas horas na fila. Era tanta gente que não deu para aproveitar muito, mas entrar na Capela Sistina (isso mesmo, o acesso à Capela Sistina é pelo Museu do Vaticano) e poder admirar a obra prima de Michelangelo não tem preço.

O Castelo Santo Ângelo me frustrou um pouco, visto que não são todas as alas abertas para visitação. Il Passeto, ponte que liga o castelo ao Vaticano (criado para ser uma rota de fuga para os papa), estava fechado ao público para manutenção. 

Se você quiser visitar a Necrópole e a tumba de São Pedro (situadas abaixo da Basílica), basta enviar um email para o Vaticano. Mas se programe com antecedência. Eu descobri que era possível visitar a Necrópole um dia antes de embarcar para Roma, mas ainda enviei o email pedindo se havia vagas disponíveis para os dias em que estaria na cidade (nunca se sabe, né?). Como são admitidas apenas 250 pessoas por dia, não foi exatamente uma surpresa ter meu pedido denegado. Para mais informações, visite o site do Escritório de Escavações do Vaticano.


Aguardo vocês na semana que vem para nossa próxima Viagem Literária. Dessa vez o destino será Londres.


domingo, 19 de maio de 2013

RESENHA: Eu Sou o Número Quatro

“Respiro fundo, e nessa inspiração levo outras coisas para dentro de mim. Raiva. Determinação. Esperança e medo. Eu os deixo entrar, sinto cada um deles. Depois tomo impulso, corro e entro na casa.” (LORE, 2011, p. 251)

***

Sempre li comentários positivos sobre a série Os Legados de Lórien, porém, por algum motivo desconhecido estava com um pé atrás para iniciar a leitura da saga. A sinopse não me despertou atenção, por isso, decidi ver o filme antes, e ao constatar que a premissa era de fato interessante (mesmo não achando o filme em si aquilo tudo), aumentei minhas apostas para o livro. E não me decepcionei.

Momentos antes da destruição do planeta Lórien, nove crianças e seus guardiões fogem para a Terra. O plano era esperar estas crianças crescerem, desenvolverem seus poderes e então enfrentarem os mogadorianos, responsáveis pela dizimação de Lórien. Escondidos nos quatro cantos da Terra, os refugiados são caçados um a um por seus inimigos. Os três primeiros já foram mortos, e o próximo da lista é o numero quatro.

Se eu pudesse resumir a obra em algumas palavras, eu me veria obrigado a dizer: muito, muito criativa. Para quem está cansado de ler mais do mesmo, o primeiro livro da série é um prato cheio: uma mistura de ficção científica (afinal, estamos falando de aliens, não estamos?), aventura e uma pitada de drama adolescente. E por mais inusitada que seja esta mistura, não é que deu liga?!

A narrativa é extremamente envolvente, mantendo o interesse e atenção do leitor do início ao fim. Porém, fiquei com a impressão que alguns personagens poderiam ter sido melhores desenvolvidos, mas nada que ofusque o brilho da obra.

O número quatro, no momento conhecido pelo nome John Smith, é um adolescente um pouquinho irritante. Talvez, minha afirmação seja redundante, afinal, todo adolescente é irritante. Mas devo dizer que John superou o nível esperado. Impulsivo, dono da verdade, incapaz de medir as conseqüências e com a constante atitude “seja feita minha vontade”. Simplesmente irritante. Apenas não abandono a leitura da série pois a evolução do personagem neste primeiro livro é nítida, e tenho certeza que nos próximos volumes seu amadurecimento será ainda maior.

Encerrei a leitura com gostinho de quero mais, imaginando o rumo que a estória vai tomar e com a intenção de ler os demais volumes da série ainda neste ano.
 
Título: Eu sou o número quatro
Autor: Pitacos Lore (pseudônimo de James Frey e Jobie Hughes)
N.º de páginas: 350
Editora: Intrínseca

sábado, 18 de maio de 2013

LANÇAMENTOS: Editora LeYa

Editora LeYa lança em março “A peculiar Tristeza Guardada num Bolo de Limão”, de Aimee Bender

Rose Edelstein tem um talento incomum: Ela sente o sabor das emoções das pessoas que preparam sua comida.

Rose Edelstein é uma menina de nove anos que descobriu ser dona de um talento um tanto quanto estranho: ela sente o sabor das emoções das pessoas que preparam toda a comida que come. E tudo começou semanas antes de seu nono aniversário quando, depois de uma briga com seu pai, sua mãe resolveu fazer um delicioso bolo de limão. Delicioso pelo menos na receita.

 “Mas lá fora escurecia e, enquanto eu saboreava aquele primeiro pedaço, quando aquela primeira impressão desapareceu, senti uma mudança sutil por dentro, uma reação inesperada. Foi como se um sensor, instalado bem no fundo, dentro de mim, erguesse sua antena para vasculhar ao redor, chamando a atenção da minha boca para alguma coisa nova.” Página 18

Imagine o que você faria se sempre sentisse o gosto das emoções? A raiva poderia ser gosmenta e espessa, a tristeza poderia ser insossa, a ansiedade ácida e todas as comidas teriam o gosto oco. É com isso que Rose tem que conviver. Com apenas nove anos, a curiosa menina sabe o que cada um sente secretamente e começa a perceber que nunca mais poderá comer suas comidas preferidas do mesmo jeito que antes. Mas, o que fazer para lidar com isso?

A editora LeYa lança em maio  “A Peculiar Tristeza Guardada num Bolo de Limão”, da escritora americana Aimee Bender, que já foi traduzida para dezesseis idiomas e ganhadora de uma série de prêmios por suas ficções. Neste livro, Bender nos traz uma história forte e promissora que já rendeu o prêmio da SCIBA e Alex Award como melhor ficção. 

“Quando olhei a embalagem, li que aquela manteiga vinha de uma grande fazenda em Wisconsin. O requeijão era delgado, como se tivesse algo de muito metálico depois de saboreado. O leite, cansado. Todas aquelas partes distantes, amontoadas como o barulho distante de um avião ou de um carro estacionando, tudo pairava ao fundo, ofuscado pelo estado de espírito de quem preparava a comida.” Página 45

E é sobre dons estranhos a história de Rose, uma personagem forte, com uma família e amigos complicados, que se expressa, e lê os outros, dessa maneira distinta e incomum. “A Peculiar Tristeza Guardada num Bolo de Limão” é mais do que um livro sobre dons, é uma obra que nos revela internamente e que mostra que nossos segredos podem ser revelados e tratados de maneiras tão estranhas e intrínsecas que nem poderíamos imaginar.

Ficha Técnica
Título: A peculiar tristeza guardada num bolo de limão
Autor: Aimee Bender
Nº de páginas: 304
Formato: 16x 23 cm
Preço: R$ 39,90

LeYa publica “Entendendo Foucault”, sétimo volume da coleção “Entendendo” 

Filósofo, historiador, ativista político, fetichista do couro, best-seller, militante e gay, Foucault é uma variedade de coisas, que serão explicadas neste livro.

A editora LeYa lança em maio “Entendendo Foucault”, novo livro da premiada série de livros ilustrados, “Entendendo”, que aborda sempre os temas mais importantes da história e teorias fundamentais sobre diversos campos de estudo. Depois de explicar temas relevantes nos primeiros seis volumes da série: Freud, Jung, Teoria Quântica, Filosofia,  Slavoj Žižek, Psicologia e Psicanálise, agora serão abordados os estudos de Foucault que, dentre outras coisas, amava estudar a história e a filosofia. 

Antissocial, controverso e dado à depressão, em 1948, Foucault cortou o peito com uma navalha, perseguiu um estudante da ENS (École Normale Supérieure) e tentou se matar tomando pílulas. Foi aí que teve seu primeiro contato com a psiquiatria e passou a também estudá-la, entendendo termos complicados ou defendendo que a ciência não era uma verdade objetiva ou constante, mas sim, comunitária, que construía a verdade através da prática científica.

“Entendendo Foucault”, escrito pelo professor de história Chris Horrocks, com ilustrações de Zoran Jevtic, estuda e apresenta de forma prática toda a vida e preceitos de Michel Foucault em um contexto turbulento tanto na filosofia quanto na política, e explora a missão do autor em expor as ligações entre conhecimento e poder nas ciências humanas, em seus discursos e nas instituições. Explicando como Foucault derrubou suposições da sociedade sobre diversos temas comportamentais, que são assuntos de pesquisas e estudos filosóficos, este livro é indispensável para quem quer entender a história de forma prática e ilustrada.

A premiada coleção “Entendendo”, onde cada livro é escrito por um renomado especialista no assunto e ilustrado por um artista gráfico, se utiliza de elementos e referências pop para explicar de forma simples temas e personalidades de todas as áreas do conhecimento.  De forma muito agradável, a coleção oferece informações úteis e objetivas para leitores que, tanto buscam um primeiro contato, como desejam adquirir um conhecimento conciso sobre o assunto.

Sobre os autores

Chris Horrocks estudou História Cultural no Royal College of Art,em Londres. Ele é professor de História da Arte na Kingston University, em Surrey. E continua vivendo em Tulse Hill, South London.

Zoran Jevtic é um ilustrador e autor multimídia de Londres. Ele está envolvido em projetos de animação, publicação na internet e projetos musicais.

Ficha Técnica
Título: Entendendo Foucault
Autores: Chris Horrocks e Zoran Jevtic
Nº de páginas:  176
Formato: 14x21 cm
Preço: R$ 29,90

quinta-feira, 16 de maio de 2013

RESENHA: A Passagem

“Durante toda a vida, Peter havia pensado no Tempo de Antes como algo que já houvesse desaparecido. Era como se uma lâmina tivesse caído sobre o próprio tempo, dividindo-o em dois: o que veio antes e o que veio depois. Não existia ponte entre essas duas metades. A guerra fora perdida, o Exército não existia mais, o mundo para além da Colônia era a sepultura aberta de uma história que ninguém ao menos lembrava.” (CRONIN, p. 364, 2013)

Até o ano passado, ficção cientifica não me atraia. Mas, por algumas razões, passei a ver o gênero com outros olhos e desde então acredito que seja um dos mais inteligentes e difíceis de serem escritos (bem, escritos pelo menos). Qualquer dificuldade que exista, Justin Cronin tira de letra ao apresentar em “A Passagem” um ótimo livro que dá início ao que promete ser uma ótima série.

Um experimento científico realizado pelo exército norte americano dá errado e as cobaias - homens que estavam no corredor da morte - se transformam em seres extremamente fortes, sensíveis à luz e com (a mais preocupante de todas as características) sede de sangue. A intenção era criar o soldado perfeito, mas ao invés disso criou-se algo com potencial para destruir a humanidade. Esse terrível evento tem início quando, após uma quebra de segurança nas instalações militares, as cobaias fogem, infectando milhares de pessoas e matando outras tantas. A partir desse momento, o mundo jamais voltará a ser o mesmo e uma era de medo tem início.

É em pequenas coisas que um escritor se revela um grande escritor. Em “A Passagem”, Cronin tem 815 páginas (não que 815 páginas possam ser consideradas uma “pequena coisa”) para provar isso, e o faz em cada uma delas. Vou exemplificar isso partindo do princípio que você começa a ler um livro porque se interessou pela sinopse, então espera ansioso que o livro lhe entregue a história prometida. Porém imagine que essa história que você espera só tem início nas proximidades da página 200 e até lá tudo pode ser considerado uma longa introdução. Ainda assim você fica fissurado pela leitura, mais envolvido a cada frase e sentindo que conhece os personagens profundamente a cada página. Foi o que aconteceu comigo ao ler “A Passagem” e foi assim que eu soube que tinha em mãos o livro de um grande escritor.

O primeiro e o segundo capítulos narram, respectivamente, o mundo como o conhecemos e as consequências imediatas à fuga dos prisioneiros/cobaias. Depois disso, cada capítulo é uma surpresa. Vale ressaltar que esses dois primeiros (que como falei são uma espécie de introdução longa) são extremamente envolventes e repletos de personagens bem construídos. É impossível não sentir que se conhece cada um deles de longa data e não se deixar envolver por suas histórias. É como se cada um fosse protagonista de uma mini-história dentro de uma maior. Mas se as primeiras duzentas páginas tem uma característica familiar, as outras 600 reservam muitas surpresas. A partir do momento em que o mundo passa a ser assombrado pelo o catastrófico experimento, o autor consegue enveredar por caminhos que jamais imaginamos e eu me pegava constantemente perguntando: “Ele vai levar para esse lado? É isso que vai acontecer?” ou me admirando com coisas como: “Que ângulo interessante de ser explorado!” Por se tratar de ficção cientifica é normal que seja difícil prever o que poderá acontecer - visto que qualquer território pode ser válido -, e o autor faz uso desse princípio, tornando “A Passagem” um suspense elegante. Nada daquele suspense óbvio que você sabe onde vai parar. A cada novo capitulo são abertas novas possibilidades, afinal, a boa ficção cientifica deve deixar o leitor cheio de perguntas e fazer brotar em suas páginas cenários jamais imaginados.

Devo confessar, porém, que houve um momento em que perdi um pouco da conexão com a história. Com o surgimento de muitos personagens novos em um determinado trecho, demorei a sentir que conhecia esse novo grupo da mesma maneira como conhecia aquele primeiro (aquele dos dois primeiros capítulos). Analisando em retrospecto, porém, acredito que isso possa ter sido uma estratégia do autor e que essa estranheza e mudança de tom é proposital. Afinal, o mundo já não é o mesmo e a mudança da narrativa é uma maneira de fazer o leitor sentir isso por reflexo. Independente de a minha teoria estar correta ou não, posso dizer que mesmo sofrendo um leve declínio pontual “A Passagem” não decepciona. Bons personagens, bons conflitos, suspense bem dosado e uma abordagem vampiresca que foge do lugar comum (e que dá para engolir) tudo isso em um cenário apocalíptico instigante e amedrontador. Isso é o que permeia todas as páginas. Não entrarei em maiores detalhes para evitar qualquer tipo, mesmo pequeno, de spoiler, basta dizer que ao me acostumar com o novo ritmo, voltei a me envolver com a história e assim foi até o final.

Gostaria de comentar ainda que a capa dessa nova edição lançada pela Editora Arqueiro é muito mais adequada (além de mais bonita) do que a anterior e transmite com facilidade a solidão e devastação desse novo mundo.

“A Passagem” é um ótimo primeiro livro de série. Apresenta com clareza a história que pretende contar e o contexto em que será ambientada, cativa o leitor e o deixa curioso para saber o que vem pela frente (talvez curioso seja um eufemismo. Eu fiquei com o coração na mão ao ler as últimas frases, lendo e relendo, querendo que não fosse verdade). Com certeza Justin Cronin tem muito o que explorar nos próximos dois livros e deixou claro que os leitores não perdem por esperar.

“Os Doze”, sequência de “A Passagem” já foi lançado pela Editora Arqueiro esse ano e “A Cidade dos Espelhos”, livro final da trilogia, está previsto para 2014 nos Estados Unidos.

Título: A Passagem
Autor: Justin Cronin
Nº de páginas: 816
Editora: Arqueiro

terça-feira, 14 de maio de 2013

Viagem Literária # 01

Para aqueles que não sabem, passei os últimos três meses em Londres, em um programa de intercâmbio. Além de apreender inglês, tive a oportunidade de viajar e, como não poderia deixar de ser, conferir a estória por trás de alguns livros. E foi assim que surgiu a coluna Viagem Literária que será publicada uma vez por semana, pelo período aproximado de dois meses. 

Nossa primeira parada tem como destino a capital da Escócia, Edimburgo, declarada pela UNESCO como Cidade da Literatura. Edimburgo foi lar ou fonte de inspiração para escritores como Walter Scott, Robert Louis Stevenson, Arthur Conan Doyle e J. K. Rowling. No post de hoje, o foco será a obra desta última.

Mãe solteira e desempregada, J.K. Rowling começou a frequentar o The Elephant House para dar vida ao bruxinho mais famoso da literatura. Sentada em uma mesa nos fundos do café, a vista da autora era do famoso Castelo de Edimburgo e da George Herriot’s School. Diz a lenda que foram estas construções que inspiraram J.K. na criação de Hogwarts. Veja as fotos e tire suas conclusões (George Herriot's School à esquerda e Castelo de Edimburgo à direita).


Apenas para o registo, hoje os filhos de J.K. estudam na George Herriot’s School, a terceira escola mais cara de Edimburgo.

Após todo o sucesso de Harry Potter, o The Elephant House saiu no lucro visto que os fãs fazem filas para conhecer o “local de nascimento de Harry Potter”. Para minha alegria a fila estava curta e todos os clientes estavam esperando dentro do café (para registrar, acho que nunca passei tanto frio como em Edinburgo). Sim, acredite, há dias que a fila é do lado de fora mesmo. E como você pode ver na foto abaixo, não havia mesas vagas.

Agora, se você me dá licença, vou me exibir um pouco: tomar um capuccino no local onde J.K. Rowling escreveu os dois primeiros volumes da saga foi inesquecível. Fora isso, devo ser sincero: The Elephant House não tem nada de mais.


Após beber a minha xícara de café (e me esquentar), faço uma pausa para ir ao banheiro, e qual não é minha surpresa ao encontrar inúmeras declarações dos fãs nas portas e paredes.


Foto 1: "'Palavras são, em minha não tão humilde opinião, nossa magia mais poderosa' Você provou isto, Jo, obrigado por HP e pela minha infância."

Foto 2: "'Nenhuma estória vive a não ser que alguém queria escutar' Eu sempre estarei pronto para ouvir suas estórias. Obrigado Jo, por tudo. Sempre."

Saímos do café e vamos em direção a George Herriot’s School a fim de visitar o cemitério Greyfriars, onde encontramos o túmulo de ninguém mais ninguém menos do que Lord Voldemort. Isto mesmo, o túmulo de Tom Riddle se encontra em Edinburgo.


Além de Thomas Riddell, o túmulo do poeta Wiliam McGonagal fica às portas da escola, que curiosamente é marcada pela figura de dois chapéis seletores.


Sobre a viagem:

A sensação de visitar Edimburgo deve ser semelhante com a de voltar no tempo. De longe, foi a cidade mais medieval que conheci. Todo o centro histórico possui o mesmo estilo arquitetônico que o Castelo de Edimburgo e a George Herriot's School, ou seja, é uma cidade muito galante e inspiradora.

O Castelo de Edimburgo é absurdamente gigante, mas não são todas as alas que estão abertas para visitação. Infelizmente, são poucos os ambientes que foram mantidos como eram antigamente. Sim, acredite, mudaram completamente o interior da construção de algumas alas para abrigarem modernos museus. Uma heresia.

A cidade retornará à coluna em breve, então não compartilharei todas as minhas impressões neste post.

Espero que tenham gostado da nova coluna. Nossa próxima parada será em Roma, onde iremos ... Pensando bem, vocês irão descobrir apenas na semana que vem.



segunda-feira, 13 de maio de 2013

LANÇAMENTO: Os Últimos Dias de Krypton


O próximo lançamento do selo Fantasy Casa da Palavra é Os Últimos Dias de Krypton, do autor Kevin J. Anderson. 

SINOPSE

Antes do Apocalipse – que fez o bebê conhecido mais tarde como Clark Kent ser enviado à Terra – Krypton prosperava. Na cidade de Kandor, o cientista Jor-El e a historiadora Lara casaram-se e tiveram Kal-El, o único que sobreviveria ao fim do mundo.

Tudo era harmonia e perfeição numa civilização com baixíssimo índice criminal, quando um alienígena invade o planeta e provoca uma tragédia irremediável para os kryptonianos. É a grande chance do diabólico General Zod tomar o poder e implantar uma ditadura que usará da invenção tecnológica de Jor-El para subjugar a todos.

E em meio a tudo isso, uma tragédia fatal se aproximava – um destino catastrófico profetizado por Jor-El que mudaria a história kryptoniana para sempre...

SOBRE O AUTOR

Kevin J. Anderson publicou mais de 80 romances, incluin­do 29 best-sellers, nos Estados Unidos. Foi indicado ao Prêmio Nebula, ao Bram Stoker Award e ao SFX Reader’s Choice Award. Seus aclamados romances originais in­cluem o Capitão Nemo, Hopschtoch e Hidden Empire. Ele também colaborou em várias séries, incluindo Star Wars, Arquivo X e Duna. Em seu tempo livre, gosta de escrever histórias em quadrinhos. Atualmente, mora em Wisconsin.

RESULTADO: No Escuro

E chegou ao fim a promoção em parceria com a Editora Intrínseca valendo um exemplar de "No Escuro" de Elizabeth Haynes. E quem leva o prêmio é:



Parabéns Aione!

Você tem até 48 horas para responder o e-mail com seus dados para que possamos providenciar o envio do seu livro. Caso a vencedora não responda no prazo estipulado, outro sorteio será realizado.

Agradecemos a participação de todos.
 

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